Resenha: Um Estudo em Vermelho de Arthur Conan Doyle

Para inciar o #ProjetoBakerStreet221b escolhi o livro “Um Estudo em Vermelho” escrito por Arthur Conan Doyle em 1886 e publicado em 1887 na revista Beeton’s Christmas Annual em Londres.

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Um Estudo em Vermelho na capa da Beeton’s Christmas Annual, 1887

O livro é dividido em duas partes, abaixo falarei sobre cada uma delas (e sim irá conter spoilers):

Primeira Parte: Memórias do dr. John H. Watson

Começamos sendo apresentados ao Dr John Watson que é o narrador e após retornar da guerra no Afeganistão para Londres está a procura de um apartamento e alguém com quem possa dividi-lo. Ao mencionar sua intenção para Stamford, um amigo de longa data. Recebe o convite para conhecer outro cavalheiro que tem a mesma intenção.

O cavalheiro em questão era, Sherlock Holmes, até então desconhecido para Watson. Mas após um breve encontro, concordam em dividir um apartamento na Baker Street 221b.

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O Endereço Baker Street 221b existe em Londres, e funciona atualmente um Museu dedicado ao detetive.
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Recriação do apartamento de Holmes e Watson (Sherlock Holmes Museum em Londres)

Desde esse primeiro encontro Watson fica fascinado com as observações de Holmes, que deduz informações de de maneira brilhante, fazendo parecer descobertas corriqueiras. O início da convivência entre ambos, deixa Watson intrigado a respeito dos hábitos de Holmes, seus conhecimentos aprofundados em alguns áreas como química, literatura sensacionalista, botânica e geologia, e insipiente em outras como astronomia, filosofia e política. Além disso, Holmes recebe visitas diárias no apartamento (tipos muito diversos), deixando Watson intrigado a respeito da profissão de Holmes.

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Baker Street 221b na época de Sherlock Holmes

Após alguma especulação, Holmes revela que é um detetive  consultor. Procurado por pessoas que precisam resolver todo tipo de questões. Por isso, resolveu aprofundar seus conhecimentos em tudo que poderia se tornar útil nas investigações, como tipos de cinzas de cigarro e tabaco ou deduzir de que parte da cidade a pessoa veio, de acordo com o tipo de lama em seus sapatos.

Watson tem a oportunidade de acompanhar Holmes pela primeira vez a uma cena do crime. Um homem encontrado morto em uma casa abandonada, com a palavra RACHE escrita em sangue na parede. Os detetives Gregson e Lestrade já estão no local, e após algumas especulações sobre o que pode ter acontecido, Holmes parece que é o único que sabe o que fazer após algumas deduções muito curiosas.

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Sherlock Holmes em cera (Sherlock Holmes Museum)

Segunda Parte: A Terra dos Santos

A solução do crime não é simples, por isso o autor incluiu a parte dois, para que o leitor possa entender todos os motivos que levaram ao crime. Somos transportados para o Vale de Salt Lake ( Utah) alguns anos antes do crime ter ocorrido.

Um homem luta para sobreviver no clima hostil do deserto, e encontra uma menina chamada Lucy e ambos são salvos por uma caravana de Mórmons. Alguns anos vivendo de acordo com as regras impostas pela comunidade, a tensão entre Lucy e seu pai resulta em desfecho mortal.

Após apresentar todos os fatos para que o crime possa ser entendido, existe a conclusão da investigação, com direito a reviravoltas. Encerrando assim a primeira investigação de Holmes e Watson, que viria a escrever todas essas aventuras de acordo com o seu ponto de vista.

(Evitei dar mais spoilers que o necessário, espero que todos tenham a oportunidade de ler o livro, e se todas as nuances fossem reveladas, a leitura não seria tão prazerosa)

Para quem for ler o livro em português, recomendo as duas edições mostradas acima.

L&PM POCKET: Livro de bolso, boa tradução, capa cartão, preço acessível.

Clássicos Zahar: Livro de bolso (espero que seu bolso seja grande), boa tradução, ilustrações, capa dura e um pouco mais cara que a edição da L&PM.

Pontos Interessantes no Livro

Existe uma comparação feita por Watson entre Holmes e o detetive Auguste Dupin, criado por Edgar Allan Poe:

“— Explicada dessa forma, a coisa parece bastante simples — disse eu, sorrindo. — Você me faz lembrar Dupin, de Edgar Allan Poe. Não fazia a menor ideia de que tais pessoas existissem na vida real.

Sherlock Holmes levantou-se e acendeu o seu cachimbo.

— Julga, sem dúvida, fazer-me um cumprimento comparando-me a Dupin — observou. — Pois, na minha opinião, Dupin era um tipo medíocre. Aquele seu estratagema de intervir nos pensamentos do seu amigo, depois de um quarto de hora de silêncio, é pretensioso e superficial. Concedo-lhe, sem dúvida, certa capacidade analítica, mas não era de modo nenhum o fenômeno que Poe parecia imaginar.”

(Primeira Parte- Cap 2)

Patrulha de Baker Street: : Um grupo de meninos de rua que andam por Londres e ajudam Holmes em suas investigações. (Já foram escritos livros somente desse grupo de meninos, assim que possível falarei mais sobre eles)

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Patrulha de Baker Street (ou Irregulares de Baker Street)

— Que diabo é isso? — exclamei eu, pois naquele instante soou grande alvoroço no corredor e na escada, acompanhado por claras expressões de desagrado por parte da dona da casa.

— =É a patrulha da Baker Street — disse gravemente o meu companheiro, e, mal acabou de falar, a sala foi invadida por meia dúzia dos mais sujos e andrajosos garotos que já vi.

— A-ten-ção! — gritou Holmes num tom imperioso, e os seis garotos maltrapilhos perfilaram-se como outras tantas estatuetas gaiatas. — Daqui por diante mandem somente Wiggins, e o resto que espere na rua. Então, Wiggins, encontraram?

— Não, senhor, não encontramos — disse um dos rapazes.

— Eu já esperava isso. Continuem procurando. Aqui está o pagamento — acrescentou Holmes, dando um xelim a cada um deles. — E da próxima vez tragam melhores informações.

A um sinal seu, a garotada debandou escada abaixo como ratos, e logo após ouvíamos na rua as suas vozes estrídulas.

— Qualquer desses velhacos vale mais do que uma dúzia de agentes regulares — observou Holmes. — A simples presença de um funcionário fecha os lábios de todos, mas aqueles garotos vão a toda parte e ouvem tudo. São vivos como ninguém, e só lhes falta organização.

(Primeira Parte – Cap 6)

Lista de conhecimentos de Sherlock Holmes feita por Watson

1. Literatura: zero.

2. Filosofia: zero.

3. Astronomia: zero.

4. Política: escassos.

5. Botânica; variáveis. Conhece a fundo a beladona, o ópio e os venenos em geral. Nada sabe sobre jardinagem e horticultura.

6. Geologia: práticos, mas limitados. Reconhece à primeira vista os diversos tipos de solo. No regresso dos seus passeios, mostra-me manchas nas calças, e diz-me, pela sua cor e consistência, em que parte de Londres as conseguiu.

7. Química: profundos.

8. Anatomia: exatos, mas pouco sistemáticos.

9. Literatura sensacionalista: imensos. Parece conhecer todos os pormenores de todos os horrores perpetrados neste século.

10. Toca bem o violino.

11. É habilíssimo em bastão*,boxe e esgrima.

12. Tem um bom conhecimento prático das leis inglesas.

(Primeira Parte – Cap 2)

*Nota: Em Inglês “Bastão” referesse a “Singlestick”uma arte marcial que lenbra a esgrima usando uma vara de madeira.

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Conan Doyle escreveu Um Estudo em Vermelho com apenas 27 anos em menos três semanas. Em breve farei uma postagem falando do autor, que teve uma vida tão interessante quanto a de seu personagem.

Espero que tenham gostado, não deixem de seguir o blog para receber por e-mail os próximas resenhas do #ProjetoBakerStreet221b .

Até a próxima.

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Links Interessantes:

https://mundosherlock.wordpress.com/

https://en.wikipedia.org/wiki/Singlestick

https://en.wikipedia.org/wiki/A_Study_in_Scarlet

http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=617170&ID=708819

http://www.zahar.com.br/livro/um-estudo-em-vermelho-edicao-bolso-de-luxo

 Um estudo em vermelho (Clássicos Zahar [bolso de luxo])

O signo dos quatro (Clássicos Zahar [bolso de luxo])

O cão dos Baskerville (Clássicos Zahar [bolso de luxo])

As aventuras de Sherlock Holmes (Clássicos Zahar [bolso de luxo])

A volta de Sherlock Holmes (Clássicos Zahar [bolso de luxo])

O Vale do Medo (Clássicos Zahar [bolso de luxo])

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3 comentários Adicione o seu

  1. Chronosfer disse:

    Sherlock sempre instigou meu imaginário em especial na adolescência. Um momento feliz foi ter ido ao “seu” museu em Londres no inverno de 1997. (Confesso que lendo o post e olhando as fotos de lá pouco me lembro) Gostei imenso daqui. Meu abraço.

    Curtir

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